Pensão alimentícia: como pedir, calcular e cobrar (passo a passo)
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Pensão alimentícia: como pedir, calcular e cobrar (passo a passo)

Veja como pedir pensão alimentícia, quem tem direito, como o valor é definido, o que fazer quando não é paga e como conseguir ajuda gratuita na Defensoria Pública.

Por Renan Arruda · · 7 min de leitura

A pensão alimentícia garante o sustento de quem depende de outra pessoa, na maioria das vezes filhos. Pedir, definir o valor e cobrar quando não é paga gera muita dúvida e, às vezes, medo do custo. A boa notícia é que dá para fazer tudo com ajuda gratuita da Defensoria Pública. Veja quem tem direito, como o valor é definido, o passo a passo para pedir e o que fazer quando o pagamento não vem.

O que é e quem tem direito

A pensão alimentícia (ou “alimentos”) é um valor pago para cobrir as necessidades básicas de quem não tem como se sustentar sozinho: alimentação, saúde, educação, moradia, vestuário. O caso mais comum é o filho menor de idade, mas o direito vai além:

A lógica é sempre a mesma: quem tem condições ajuda no sustento de quem precisa. O dever de pagar não some porque o casal se separou ou porque um dos pais não convive com a criança.

Como o valor é definido

Aqui está a maior dúvida. Não existe um percentual único em lei que valha para todo mundo. O valor segue o princípio do binômio necessidade e possibilidade: o quanto a criança precisa de um lado, o quanto quem paga pode contribuir do outro.

Na prática, costuma-se usar uma referência sobre os rendimentos de quem paga, mas o número final é definido caso a caso. Ele pode ser:

Quem tem renda fixa costuma ter a pensão descontada em folha. Quem é autônomo tem o valor definido de outra forma. O importante é reunir provas das despesas da criança e da renda de quem paga, porque é isso que sustenta o pedido.

Passo a passo para pedir

Passo 1: reúna os documentos

Junte certidão de nascimento do filho, documentos seus e, se possível, comprovantes da renda de quem vai pagar e das despesas da criança (escola, saúde, alimentação). Se não tiver a renda do outro, não trave: dá para pedir mesmo assim, e a Justiça pode apurar.

Passo 2: procure ajuda jurídica

Você precisa de orientação jurídica para entrar com o pedido. Se não pode pagar advogado, procure a Defensoria Pública, que faz isso de graça. Faculdades de Direito (núcleos de prática) também atendem.

Passo 3: tente o acordo

Sempre que possível, um acordo entre as partes é mais rápido e menos desgastante. Definido o valor, ele é levado ao juiz para homologação, ganhando força legal. Acordo homologado vale como decisão judicial.

Passo 4: entre com a ação, se não houver acordo

Sem acordo, entra-se com a ação de alimentos na Justiça. O juiz pode fixar uma pensão provisória logo no começo, para a criança não ficar desamparada durante o processo.

Passo 5: acompanhe e guarde tudo

Acompanhe o processo com o seu defensor ou advogado e guarde todas as decisões e comprovantes. Eles serão importantes se for preciso cobrar depois.

Quando a pensão não é paga

A pensão alimentícia é uma das poucas dívidas que pode levar à prisão civil de quem deve, justamente pela sua importância. Se o pagamento não vem, você pode entrar com a execução de alimentos, e as consequências para o devedor incluem:

Não aceite o não pagamento como algo normal. O direito é da criança, e a Justiça tem ferramentas fortes para fazer cumprir. Novamente, a Defensoria Pública conduz a execução de graça para quem não pode pagar.

Dá para mudar o valor depois?

Sim. A pensão pode ser revista quando a situação muda. Se quem paga perdeu o emprego ou teve queda de renda, pode pedir redução. Se as despesas da criança aumentaram ou a renda de quem paga subiu, quem recebe pode pedir aumento. A revisão também passa pela Justiça, com provas da mudança. O valor não é eterno; ele acompanha a realidade das partes.

O que a pensão deve cobrir

Muita gente acha que a pensão é só “uma ajuda”, mas ela existe para cobrir as necessidades reais da criança ou de quem recebe. Isso inclui, conforme o caso:

Por isso, ao reunir provas para definir o valor, vale listar essas despesas com clareza. Quanto melhor documentadas as necessidades da criança, mais justa tende a ser a definição do valor. A pensão não é um favor de quem paga; é a parte que cabe a cada responsável no sustento de quem depende.

Guarda compartilhada e pensão

Uma dúvida frequente é se quem tem guarda compartilhada também paga pensão. A resposta costuma ser sim. Guarda compartilhada significa que os dois pais dividem as decisões sobre a criança, mas isso não elimina o dever de sustento. Mesmo com o tempo de convivência dividido, se um dos pais tem renda maior, ele costuma contribuir com pensão para equilibrar as condições nos dois lares.

O cálculo nesses casos também segue necessidade e possibilidade, considerando quanto cada um já arca diretamente. O importante é entender que guarda e pensão são coisas diferentes: uma trata de com quem a criança fica e quem decide; a outra, de quem paga o quê. Em caso de dúvida sobre como fica no seu caso, a orientação gratuita da Defensoria esclarece e ajuda a formalizar o acordo.

Cuidados importantes

Como o pagamento é feito e cobrado

Definido o valor, vale entender as formas de pagamento, porque elas mudam a segurança de quem recebe. Quando quem paga tem emprego com carteira assinada, o caminho mais seguro é o desconto direto em folha: o valor sai do salário antes de chegar à mão do devedor e é repassado a quem recebe. Isso reduz muito o risco de atraso.

Quando quem paga é autônomo ou informal, o pagamento costuma ser por transferência ou Pix, e aí a recomendação é manter tudo registrado. Evite dinheiro na mão sem recibo: sem prova de pagamento, podem surgir cobranças do que já foi pago, ou dificuldade de provar a falta de pagamento. Guarde os comprovantes de cada mês, dos dois lados.

Se o pagamento parar, a execução de alimentos é o instrumento para cobrar. Ela pode pedir a prisão pelas parcelas recentes e a penhora de bens e valores pelas mais antigas. O processo de execução também pode ser conduzido pela Defensoria de graça. O recado é não deixar a dívida acumular em silêncio: quanto antes você aciona a cobrança, mais fácil recuperar o que é da criança.

Resumo

  1. A pensão cobre o sustento de quem depende de outra pessoa, em geral os filhos.
  2. O valor segue necessidade e possibilidade, definido por acordo ou pelo juiz.
  3. Reúna documentos da renda de quem paga e das despesas da criança.
  4. Procure a Defensoria Pública para pedir de graça; tente o acordo primeiro.
  5. Não pagou? A execução pode levar à prisão e à penhora; a revisão é possível.

Com orientação jurídica gratuita e os documentos reunidos, pedir e cobrar a pensão deixa de ser um obstáculo. O direito ao sustento é da criança, e a lei oferece caminhos firmes para garanti-lo.

Resumo em passos: Pensão alimentícia: como pedir, calcular e cobrar (passo a passo)

Perguntas frequentes

Como é definido o valor da pensão alimentícia?

O valor segue o princípio do equilíbrio entre a necessidade de quem recebe e a possibilidade de quem paga. Não existe um percentual fixo em lei para todos os casos; o juiz analisa a renda de quem paga, as despesas da criança e a situação das partes. Costuma-se usar uma referência sobre os rendimentos, mas o número é definido caso a caso, podendo ser acordado entre as partes ou decidido na Justiça.

Quem tem direito a receber pensão alimentícia?

O caso mais comum são os filhos menores de idade, mas o direito vai além: filhos maiores que ainda estudam em certas condições, filhos com deficiência, e até ex-cônjuge ou pais, conforme a necessidade e a possibilidade, dentro das regras. A pensão é um dever de quem tem condições de ajudar no sustento de quem precisa, segundo a lei.

O que fazer quando a pensão não é paga?

Quem deve pensão e não paga pode sofrer cobrança judicial, com consequências sérias, incluindo a possibilidade de prisão civil por dívida de alimentos, além de penhora de bens e desconto em folha. O caminho é entrar com a execução da pensão na Justiça. Se você não pode pagar advogado, a Defensoria Pública faz isso de graça.

Renan Arruda

Escrevo no Central Hub sobre economia doméstica, trabalho e direitos. Meu objetivo é simples: ajudar quem ganha pouco a fazer o dinheiro render, encontrar renda e resolver a burocracia do dia a dia sem pagar a mais por isso.